Estamos constantemente em processo de julgamento. Nas redes sociais, colocamos “gostos” e não-gostos” nas opiniões, fotografias, comentários dos outros como se as nossas opiniões validassem ou não as suas escolhas. E no entanto, a vida é tão maravilhosa que nos permite estar abertos a tantas verdades e tantas realidades. Se a verdade não é uma, mas tantas quantos nós somos, como podemos tornar as nossas escolhas tão redutoras, excluindo à partida tudo o que for diferente daquilo que julgamos certo?
Falamos muito sobre julgar o outro, mas nós somos os nossos maiores críticos. Julgamo-nos pelo que pensamos, pelo que dizemos, pelo que fazemos. Estamos em constante processo de auto-julgamento. Se alguém falasse connosco como nós fazemos connosco mesmos, será que ainda gostaríamos dessa pessoa?
O Yoga ensina-me tanto e foi com este estilo de vida que aprendi o respeito por mim. E esse respeito também vem das viagens interiores ao silêncio e quietude da mente, habituada a categorizar.
Sei que não sou perfeita e aprendi que são as minhas imperfeições que me permitem todos os dias melhorar e evoluir, senão como poderia aprender? Todos os dias, no colchão de yoga relembro aos meus alunos, a importância da aceitação das nossas emoções, do nosso dia, da nossa respiração, pois esse é o primeiro passo para o auto-conhecimento. Se eu não me aceitar, como posso aprender e crescer?!
Então, porque julgamos?
“A alma sempre tende a julgar os outros segundo o que pensa de si mesma”
Giacomo Leopardi
Quando julgamos, apenas estamos a demonstrar aquilo que pensamos de nós mesmos porque o que dizem sobre mim ou sobre o que eu penso não me define a mim, mas sim quem o julga ou critica. Ao fazê-lo, parto do princípio que todas as pessoas têm de ter a mesma opinião ou sentir a vida como eu. Se estivermos abertos e disponíveis, sentir-nos-emos confortáveis com as opiniões diferentes porque elas enriquecem-nos, fazemo-nos ver uma perspectiva sobre a qual nunca nos tínhamos debruçado.
Lembras-te da última vez que te julgaram ou criticaram? Como te sentiste? A crítica ou julgamento fizeram-te sentir melhor? Ou fizeram sentir-te inferior porque tens uma opinião diferente? Ou criaram um medo futuro de expressar a tua verdade? Da próxima vez que julgares, lembra-te que a verdade não é só uma e que podes sempre colocar-te no lugar do outro, procurando perceber como agirias se tivesses no lugar dela, tendo empatia.
A beleza da vida reside justamente na multiplicidade de significados e de opiniões, que cada um de nós, raios de luz, dá ao que nos rodeia. É assim que a vida fica mais rica, é assim que a vida fica (ainda) mais bela.
“Se julgares as pessoas, não terás tempo para amá-las”
Madre Teresa
