Em busca do amor verdadeiro

E viveram felizes para sempre!

Assim terminam os contos de fadas e começa o amor na vida real.

Houve fases da minha vida em que achei que existiam amores perfeitos: daqueles em que não é preciso mexer em nada, trabalhar em coisa alguma e só esperar que a outra pessoa preencha as lacunas existentes em nós. Alguns anos e feridas mais tarde, aprendi que o amor dá trabalho e está em constante desconstrução para renascer a cada dia.

Se estivermos a caminhar na estrada da evolução, estamos em constante mudança: quem éramos hoje, não é seguramente quem fomos ontem ou seremos amanhã. Quantas mais camadas descobrimos em nós, mais vontade sentimos de escavar e de retirar máscaras, que apenas agradem aos outros. Ao sermos autênticos, vamos afastando as diferenças e acolhendo quem verdadeiramente, nos aprecia.

As relações humanas são essencias na nossa vida. Não somos ilhas, precisamos de conexão. Queremos amar e ser amados e alguns de nós, passam uma vida à procura de um amor que não existe e por isso, nunca o encontram.

Mas onde começa o amor verdadeiro?

E se o que procuramos incessantemente lá fora, estivesse mais perto do que julgamos? E se o amor estivesse dentro de nós? Dentro dos nossos corações, no mais profundo do nosso Ser, alimentando-nos enquanto caminhamos em direcção a casa e fosse um estado natural?

– Mas se eu me amar, estou a ser egoísta. Tenho de amar o próximo, os outros precisam de mais amor do que eu! Podes pensar.

Amar-te a ti mesmo não é vaidade. É sanidade!

André Gide

Só quando descobres o amor próprio é que o podes fazer chegar aos outros, de forma verdadeira. A auto-estima e auto-confiança não são egoísmo, pelo contrário, são formas de altruísmo. Só quando somos gentis e confiantes connosco e nos amamos, é que somos capazes de sentir o mesmo pelos outros. Ao invés, corremos o risco de nos tornar quem não somos só para agradar, o que traz um enorme sofrimento. É impossível amar alguém, se não te amares primeiro, a ti! O vazio que sentes dentro de ti não pode ser preenchido com o que vem de fora: pessoas, objectos, situações…

Para nos amarmos, precisamos de nos conhecer. Dar o primeiro passo em direcção ao auto-conhecimento é um processo lento, desafiador, paciente, mas valioso. Se procuras um caminho rápido, não é este. As mudanças verdadeiras começam devagar, com passinhos pequenos. Não podes mudar tudo hoje, mas podes escolher o dia de hoje para começar a mudar e regressar a ti!

Amor é fogo que arde sem se ver

Luís de Camões

Tal como se não regares uma flor, ela murcha, também o fogo do amor requer atenção contínua. Se não o alimentas, ele extingue-se. Se não estiveres atento e nutrires a tua chama com madeira, não te apercebes que o lume está mais fraco e corre o risco de se apagar.

Mas como manter a chama acesa?

Algumas ideias para te manter no caminho do auto-conhecimento e amor próprio:

  1. Sai do piloto automático – Vive o teu dia com consciência, colocando os teus sentidos em acção, respirando antes de tomar atitudes impulsivas, especialmente em situações de raiva, frustração ou stress. Verás que depois de respirar, a onda não é tão grande como parecia no início.
  2. Verbaliza os teus sentimentos – Se não reconheces como te estás a sentir, não consegues limpar o que sentes, o que fará com que fiques com sentimentos negativos presos em ti, que vão crescendo e criando sensações negativas, que muitas vezes, se transformam em doenças.
  3. Aprende a dizer Não – Troca a satisfação imediata pela felicidade a longo prazo. Limpa-te das redes sociais durante um dia, pratica yoga 🧘, alimenta-te bem física, emocional e mentalmente e não te prejudiques para aceder a pedidos ou convites dos outros.
  4. Reconhece que não és perfeito – fala e age com amor para contigo. Aquilo a que chamas erros, foi o melhor que soubeste fazer com as ferramentas que tinhas, no momento, o que não significa que não possas fazer melhor. Assume a tua responsabilidade em vez de te desculpar e vê como podes melhorar da próxima vez.
  5. Pratica Ahimsa ( Não-Violência) para contigo também. Se alguém falasse ou agisse contigo, como tu o fazes, ainda serias amigo dessa pessoa? Comemora as pequenas vitórias e perdoa-te.
  6. Cria um Diário – O diário não servia apenas para contar as tuas aventuras de infância e adolescência. É uma óptima ferramenta para apontar o teu desempenho e progresso diários. No final de cada dia, escreve sobre aquilo que te sentiste orgulhoso e como podes melhorar amanhã.
  7. Medita – encontra um lugar onde possas ficar em silêncio, sem ser incomodado durante 5 ou 10 minutos. Observa a tua respiração e de cada vez que a tua mente te afastar, com amor, regressa à respiração e vê o pensamento a desvanecer-se, voltando ao presente, ao único momento que de facto, existe.

Há muitas outras formas de auto-conhecimento e amor, mas praticando estas, já estás a conhecer-te melhor, a respeitar-te e a querer melhorar, sentindo uma maior paz interior.

Quando começas a caminhar em direcção a ti, tornas-te uma chama que irradia amor e autenticidade e embora não precises de ninguém para te completar, quando estás inteiro, irás ser exemplo de energia inspiradora para os outros e quem sabe, atrair a pessoa que emana o mesmo amor do que tu!

Amar-te a ti mesmo é o início de um romance para toda a vida!

Oscar Wilde

*Este artigo não está de acordo com o acordo ortográfico.

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